Os 5 mandamentos da Igreja Católica
Além dos 10 mandamentos bíblicos que Deus relevou a Moisés, a Igreja estabeleceu 5 mandamentos da Igreja Católica (ou também chamados de preceitos), “que tem por fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável de espírito de oração e de esforço moral e de crescimento no amor a Deus e ao próximo.”, conforme o Catecismo da Igreja Católica (CIC) no parágrafo 2041.
Vamos conhecer quais são os mandamentos?
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Ouvir missa inteira e abster-se de trabalhos servis nos domingos e festas de guarda
O primeiro Mandamento da Igreja Católica é a participação integral na Missa aos domingos e em outras festas de guarda, abstendo-se de atividades profissionais. Através dessa prática, os fiéis são instruídos a santificar o dia em que celebramos a ressurreição do Senhor e outras festividades litúrgicas em honra aos mistérios do Senhor, da Santíssima Virgem Maria e dos santos.
A principal forma de cumprir esse mandamento é participando da celebração eucarística, onde a comunidade cristã se reúne. Além disso, é importante evitar qualquer trabalho ou negócio que possa interferir na santificação desses dias.
A Igreja busca, assim, chamar a atenção para a importância do domingo como um dia sagrado para Deus. Enquanto a semana é destinada ao trabalho, o domingo é reservado à dedicação a Deus, ao descanso, à oração, à prática da caridade e ao convívio com a família.
Portanto, não deve ser encarado apenas como mais um dia para buscar lucro financeiro. Claro que existem pessoas que são obrigadas a trabalhar aos domingos, como aqueles que atuam em padarias ou restaurantes. Para essas pessoas, a Igreja recomenda que trabalhem o mínimo possível nesse dia e que reservem outro dia da semana para descansar, participar da Missa, meditar, praticar a caridade, visitar parentes e aproveitar a companhia da família.
A Igreja também destaca outras datas sagradas, além do domingo, que devem ser igualmente guardadas. Essas datas incluem o Natal de Jesus, a Epifania (Dia de Reis), a Ascensão de Jesus ao céu, o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), o dia de Corpus Christi, o Dia de Maria, Santa Mãe de Deus (1º de janeiro), a Imaculada Conceição de Maria (8 de dezembro), a sua ascensão ao céu (15 de agosto), o dia de São José (19 de março), os dias dos santos apóstolos Pedro e Paulo (29 de junho) e o Dia de Todos os Santos (1º de novembro).
No Brasil, algumas dessas festas são transferidas para o domingo seguinte, como a festa de São Pedro e São Paulo, a festa da Epifania e a festa de São José. No entanto, a Imaculada Conceição, em 8 de dezembro, continua sendo celebrada na data original. O importante é que, em todos esses dias sagrados, cada pessoa faça o possível para vivenciá-los e celebrá-los.
O Catecismo também nos alerta sobre a obrigação de participar da Missa aos domingos. Aqueles que, deliberadamente e sem motivo justificado, deixam de cumprir essa obrigação estão cometendo um pecado grave.
Conforme mencionado no parágrafo 2181 do Catecismo, negligenciar a participação na Missa aos domingos ou em outros dias sagrados, sem justificativa válida, constitui um pecado grave. Portanto, para receber a Sagrada Comunhão, é necessário confessar esse pecado.
Confessar-se ao menos uma vez em cada ano
A Igreja exige o mínimo dos mínimos, ou seja, que nos confessemos pelo menos uma vez ao ano. Isso ocorre porque a Igreja compreende que seus filhos possuem diferentes níveis de espiritualidade, incluindo aqueles que estão no início de sua jornada. Portanto, a Igreja estabelece esse mínimo.
No entanto, confessar-se apenas uma vez por ano é muito pouco para sustentar uma vida espiritual vigorosa. Quando uma pessoa passa um ano inteiro sem se confessar, ela nem se lembra mais dos pecados que cometeu. Portanto, o ideal é que uma pessoa se confesse aproximadamente uma vez por mês, ou a cada dois meses no máximo, para que possa lembrar de suas falhas e erros.
É importante recordar a importância da confissão. Logo após a ressurreição, no próprio dia da ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos que estavam no cenáculo e instituiu o sacramento da confissão. Ele disse aos apóstolos: “Assim como o Pai me enviou, eu vos envio a vós. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; e aqueles a quem os retiverdes, serão retidos”. Portanto, no primeiro dia da ressurreição, o próprio Cristo concedeu aos sacerdotes da Igreja o poder de perdoar pecados em Seu nome.
Ninguém pode contestar isso, a menos que queiramos rasgar esta página do Evangelho de São Mateus. Obviamente, isso não é possível. Portanto, precisamos nos confessar com um sacerdote da Igreja. Não existe a opção de se confessar diretamente com Deus. Deus deseja que confessemos nossos pecados ao sacerdote, assim como o Pai enviou o Filho, e o Filho enviou a Igreja, para que, por meio de seus ministros, possamos receber o perdão dos nossos pecados.
Não devemos ter receio da confissão. O padre não pode revelar nossos pecados a ninguém, caso contrário, ele seria excomungado da Igreja. Excomungado significa ser colocado para fora da comunhão, fora da Igreja. Na história da Igreja, não há registros de padres que tenham revelado os pecados de alguém.
São Nepomuceno preferiu morrer a revelar o pecado da esposa do rei. Portanto, não há motivo para temer. O sacerdote está acostumado a ouvir todo tipo de pecado. Não há pecado que o assuste, pois ele está ciente de tudo.
Além disso, o sacramento da confissão purifica nossa alma com o sangue de Cristo. O sacerdote nos concede a absolvição, mas é Cristo, por meio de Sua morte e ressurreição, quem nos perdoa. Não há nada melhor neste mundo do que estar livre de nossos pecados. Quando morremos, sabemos que iremos à presença de Deus, mas seremos julgados no juízo particular.
No entanto, a Igreja ensina que tudo o que confessamos na confissão, com sinceridade, arrependimento e a promessa de lutar para não cometer mais aquele pecado, não será levado em consideração no juízo particular, quando estivermos diante de Deus e de seu tribunal. É maravilhoso poder comparecer diante de Deus com os pecados já perdoados. Por isso, o Papa João Paulo II afirmava que a confissão é um juízo particular adiantado nesta terra.
É muito mais fácil estar diante de um sacerdote pecador, assim como nós, do que estar diante de Deus, cuja santidade é inigualável. Portanto, a Igreja exige que nos confessemos pelo menos uma vez ao ano, durante o período da Páscoa, que se estende desde a ressurreição de Jesus até a festa de Pentecostes. Portanto, não deixe de se confessar, pelo menos uma vez por mês, pois a confissão não apenas perdoa seus pecados, mas também concede força e graça para evitar recair neles novamente.
Comungar ao menos pela Páscoa da Ressurreição
A Igreja, conforme recomendação e obrigação, nos instrui a realizar pelo menos uma confissão e uma comunhão por ano durante o período pascal, que compreende os 50 dias entre a festa da Ressurreição e Pentecostes. Esse é o mínimo que a Igreja solicita.
No entanto, é importante destacar que esse mínimo é realmente muito pouco. O ideal seria comungar todos os dias. Como Santo Agostinho afirmava, nós, que somos fracos, precisamos do alimento espiritual todos os dias. Santo Ambrósio, o grande bispo de Milão, que batizou Santo Agostinho por volta do ano 400, também enfatizava a importância da comunhão frequente.
Segundo ele, duas categorias de pessoas devem comungar com regularidade: aqueles que são perfeitos, para que possam se manter nesse estado, e aqueles que não são perfeitos, para que possam alcançar a perfeição.
A Eucaristia é de uma importância indescritível. O próprio Jesus se torna pão para entrar em nossa alma. A Igreja a chama de remédio e sustento para a nossa vida espiritual. Durante o período pascal, a Igreja estabelece que devemos realizar pelo menos uma comunhão.
No entanto, a Eucaristia é muito mais do que isso. Jesus realiza milagres em nossa vida por amor a nós. Ele pode transformar o pão em Seu corpo, o vinho em Seu sangue. Nada é impossível para Deus. Ele tem o poder sobre o pão, o poder sobre Seu próprio corpo. A Eucaristia é a comunhão com Deus. É uma ideia extraordinária para aqueles que têm fé e acreditam nessas verdades celestiais. Além disso, Jesus fez promessas maravilhosas para aqueles que comungam.
Após o discurso de Jesus sobre a Eucaristia, registrado no Evangelho de São João, capítulo 6, após realizar a multiplicação dos pães e andar sobre as águas, o povo sabia que Ele tinha poder sobre o pão. Ele é Deus. Ele tem poder sobre Seu próprio corpo, pode multiplicar o pão e caminhar sobre a água. Se Ele tem o poder sobre o pão e o corpo, por que não poderia transformar o pão em Seu corpo?
É evidente que Ele pode. Ele pode transformar a água em vinho, então também pode transformar o vinho em Seu sangue. Nada é impossível para Deus. No entanto, Ele faz tudo isso por amor a nós. Não é apenas um milagre por milagre. Ele deseja estar conosco, porque Ele sabe que somos fracos e que sucumbimos aos pecados, como soberba, ganância, avareza, impureza, sexualidade, gula, bebedeira, ódio, ira, inveja, preguiça, maledicência, respeito humano e omissão.
Jesus sabe que somos miseráveis, por isso Ele vem ao nosso coração para nos fortalecer contra o pecado e o demônio. Seu sangue cobre nossas almas e impede que o demônio nos influencie e nos leve ao mal. Portanto, esse terceiro mandamento da Igreja nos obriga a comungar pelo menos uma vez por ano.
No sermão sobre a Eucaristia, Ele diz: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. Assim como o Pai que vive me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que me recebe viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu, não como aquele que os pais comeram e morreram; quem comer deste pão viverá eternamente”.
Guardar abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja
No quarto mandamento da Igreja, é ensinado que devemos jejuar e abster-nos de carne, conforme as orientações da Santa Mãe Igreja, que também determina os períodos em que devemos realizar essa penitência. A Igreja valoriza o jejum, a esmola e a oração como remédios contra o pecado. O jejum é um importante meio proposto pela Igreja para que possamos dominar nosso próprio corpo, permitindo que o Espírito Santo tenha o domínio sobre ele.
O corpo não deve controlar o Espírito, mas sim, o Espírito deve comandar o corpo. A pessoa em que o corpo domina o Espírito vive de forma desordenada. No entanto, é importante lembrar que o Espírito é mais nobre e essencial, ao passo que o corpo é passageiro. A beleza do corpo existe porque o Espírito o permeia. Por exemplo, quando vemos uma escultura como a Pietà de Michelangelo, um Davi de Michelangelo ou um Moisés de Michelangelo, percebemos que é a força do Espírito que transformou a matéria em algo bonito. Portanto, a matéria só tem valor por causa do Espírito, e é por isso que o Espírito deve estar acima da matéria.
O jejum nos ajuda a colocar o corpo sob o domínio da alma e promove a mortificação. Em determinados momentos, podemos decidir jejuar, como durante a Quaresma, quando podemos optar por não tomar nossa cerveja durante os 40 dias ou não frequentar festas.
Além disso, a Igreja recomenda especialmente a sexta-feira como um dia para jejuar, praticar um pouco de mortificação e sacrifício, pois é o dia em que o Senhor morreu na cruz, fazendo um grande sacrifício por nós.
Durante a sexta-feira, podemos adotar um jejum parcial, que consiste em tomar apenas um café da manhã leve, um almoço leve e um jantar leve, sem comer nada durante o dia. Algumas pessoas preferem jejuar com pão e água durante todo o dia.
O tipo de jejum a ser praticado depende da capacidade de cada um. Não é necessário fazer um jejum que cause dores de cabeça ou fraqueza, de modo que prejudique o desempenho no trabalho. O importante é encontrar um equilíbrio em que possamos sentir um pouco de fome, mas ainda tenhamos energia para realizar nossas atividades diárias.
O jejum fortalece espiritualmente e é considerado a oração do corpo, pois a mortificação do corpo permite que ele fique submisso ao espírito.
Uma pessoa que não consegue dominar seu próprio corpo está fadada à desgraça. Ela se entrega aos prazeres da comida, bebida e sexo de forma desregrada, comprometendo sua vida familiar e causando estragos em sua própria vida.
John Spaulding, um pensador inglês, afirmou que as civilizações não perecem por falta de ciência ou tecnologia, mas sim por falta de valores morais. Infelizmente, a sociedade atual busca apenas prazer, seja na comida, na bebida ou no sexo. O corpo está acima do espírito, esmagando-o.
Quando o corpo prevalece sobre o espírito, o homem perde sua essência, tornando-se uma caricatura de si mesmo, um ser humano desprovido de valores e uma escala de prioridades. Quando o homem se autodestrói, não afeta apenas a si mesmo, mas também sua família e a sociedade como um todo. Portanto, a Igreja recomenda o jejum e a mortificação como um meio de fortalecimento espiritual e busca por valores morais.
Prover as necessidades da Igreja, segundo os legítimos usos e costumes e as determinações
O quinto mandamento da Igreja nos ensina sobre a importância de ajudar a igreja materialmente. Ele nos lembra que devemos suprir as necessidades materiais da igreja de acordo com nossas possibilidades individuais.
É fundamental esclarecer que a igreja não obriga a dar 10% de tudo o que ganhamos. Não há nenhum documento, decreto ou norma da igreja que estabeleça tal exigência. Nem o Catecismo da Igreja Católica nem o Código de Direito Canônico mencionam especificamente 10%.
A Igreja destaca que cada um deve contribuir conforme suas próprias possibilidades, podendo ser 5%, 1%, 10%, 15% ou até mesmo 20%, se assim desejar.
No parágrafo 2043 do Catecismo da Igreja Católica, é mencionado que os fiéis cristãos têm a obrigação de suprir as necessidades materiais da igreja de acordo com suas capacidades individuais. O Novo Testamento não utiliza a palavra “dízimo”; essa referência é encontrada apenas no Antigo Testamento. Isso ocorre porque Deus prefere deixar essa questão em liberdade.
São Paulo enfatiza que cada um deve dar de acordo com o impulso do coração. Quem doa generosamente, colhe generosidade. Deus ama aqueles que doam com alegria, como afirmado na Segunda Carta aos Coríntios, capítulo 9, versículo 7. O Código de Direito Canônico, no Cânon 222, parágrafo 1, estabelece que os fiéis têm a obrigação de socorrer as necessidades da igreja, para que ela possa dispor do necessário para o culto divino, obras de apostolado, caridade e sustento digno dos ministros.
A contribuição financeira para a igreja tem o propósito de auxiliar em suas obras e é importante eliminar práticas como bingos e rifas. Se todos os católicos contribuíssem com o dízimo, assim como os protestantes fazem, as comunidades não precisariam recorrer a essas atividades adicionais.
É necessário aprender a apoiar as obras da igreja. No entanto, não é obrigatório destinar todo o dízimo à paróquia. A igreja sugere que a primeira parte seja destinada à paróquia, pois é nela que participamos da missa, dos sacramentos, onde confessamos, batizamos nossos filhos e celebramos casamentos. É na igreja local que frequentamos regularmente.
No entanto, parte do dízimo também pode ser direcionada a outras instituições e obras de caridade aprovadas pela igreja. O importante é cumprir com a responsabilidade de contribuir para as necessidades materiais da igreja de acordo com nossas possibilidades individuais.
Quem pode contribuir mais, doa mais; quem pode contribuir menos, doa menos. São Paulo nos lembra de doar conforme o impulso do coração, sem tristeza ou constrangimento. Deus não deseja que ajudemos a igreja com má vontade, constrangidos, tristes ou arrependidos. Pelo contrário, devemos doar com alegria, pois Deus ama aqueles que doam com alegria. Sem esse espírito, a contribuição financeira perde seu valor diante de Deus.
Perguntas Frequentes
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Católico, Esposo e Pai de 4. Vascaíno, Analista de Sistemas, "tio" do Desperta e agente da PASCOM. Criando o CatolicoApp (https://catolicoapp.com).