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Salmo 2

1. Por que tumultuam as nações? Por que tramam os povos vãs conspirações?
2. Erguem-se, juntos, os reis da terra, e os príncipes se unem para conspirar contra o Senhor e contra seu Cristo.
3. “Quebremos seu jugo – disseram eles – e sacudamos para longe de nós as suas cadeias!”
4. Aquele, porém, que mora nos céus, se ri, o Senhor os reduz ao ridículo.
5. Dirigindo-se a eles em cólera, ele os aterra com o seu furor:
6. “Sou eu – diz – quem me sagrei um rei em Sião, minha montanha santa”.
7. Vou publicar o decreto do Senhor. Disse-me o Senhor: “Tu és meu filho, eu hoje te gerei.
8. Pede-me; te darei por herança todas as nações; tu possuirás os confins do mundo.
9. Tu as governarás com cetro de ferro, tu as pulverizarás como um vaso de argila”.
10. Agora, ó reis, compreendei isso; instruí-vos, ó juízes da terra.
11. Servi ao Senhor com respeito e exultai em sua presença; prestai-lhe homenagem com tremor, para que não se irrite e não pereçais quando, em breve, se acender sua cólera. Felizes, entretanto, todos os que nele confiam.

Bíblia Ave Maria – Todos os direitos reservados.

Sobre o Salmo 2 (Explicação Católica)

Comentários de Santo Agostinho sobre o Salmo 2:

O comentário de Santo Agostinho sobre o Salmo 2 oferece uma rica interpretação teológica e espiritual, explorando os temas de rebelião contra Deus, justiça divina e a vinda do Messias. Agostinho começa refletindo sobre a revolta das nações e a conspiração dos líderes mundanos contra o Senhor e Seu Ungido, interpretando essa oposição como uma futilidade diante do poder soberano de Deus.

Ele destaca a preocupação dos conspiradores em romper com as “cadeias” e o “jugo” impostos pelo cristianismo, advertindo contra a resistência à religião que conduz à liberdade verdadeira.

Ao abordar a imagem de Deus “rir-se-á” e “zombará”, Agostinho convida à compreensão metafórica, sugerindo que Deus não expressa riso ou escárnio literal, mas sim uma compreensão divina do fútil dos planos humanos. Ele descreve isso como uma capacidade de previsão que confere força aos justos, permitindo-lhes enxergar além do presente e reconhecer a futilidade dos esquemas humanos.

A ira e o furor de Deus são então abordados por Agostinho como expressões da justiça divina, não como perturbações mentais, mas como ações de retidão contra a transgressão da lei de Deus. Ele enfatiza que essa ira é uma comoção da alma justa, testemunhando a violação da ordem moral divina.

Quanto à figura do Ungido, Agostinho identifica claramente com Jesus Cristo, o Messias esperado, cujo reinado é sobre a Igreja, simbolizada por Sião, a montanha santa. Ele interpreta as palavras “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” não apenas como referência ao nascimento humano de Jesus, mas também à Sua eternidade como Filho de Deus.

Agostinho continua expondo a promessa divina de dar ao Filho as nações como herança, governando-as com justiça e conduzindo-as à redenção. Ele conclui seu comentário exortando os reis e juízes da terra a abraçarem a disciplina divina, a servirem ao Senhor com temor e a encontrarem a verdadeira felicidade e segurança na obediência a Ele.

Assim, o comentário de Santo Agostinho sobre o Salmo 2 oferece uma interpretação profunda e espiritualmente enriquecedora, que ressalta a soberania de Deus, a vinda do Messias e a importância da obediência e temor a Ele para a verdadeira felicidade e realização espiritual.