19 de outubro

São Paulo da Cruz, cujo nome original era Paulo Francisco Danei, nasceu em Ovada, uma pequena cidade na região italiana do Piemonte. Ele veio ao mundo como o primogênito de uma família de 16 filhos, que alegravam a casa de uma família de origens nobres, mas que enfrentava dificuldades econômicas. Desde a infância, São Paulo demonstrou um grande interesse pela religião, nutrindo uma fé sólida através da participação diária da Missa, frequência dos Sacramentos e prática contínua da oração.

A Cruz no coração e na alma

Em 1713, algo significativo aconteceu na vida de Paulo Francisco. Ele decidiu viver como monge eremita, ignorando a pertença a qualquer Ordem. Com seus 26 anos, o Bispo local permitiu que ele morasse em uma cela atrás da igreja de Castellazzo Bormida. Foi nesse momento que Paulo amadureceu a ideia de fundar uma nova Congregação dos Pobres de Jesus. Durante mais de um ano naquela cela, ele escreveu a Regra, direcionada ao amor pela Cruz. Essa espiritualidade baseada no sacrifício e no simbolismo da cruz tornou-se característica dos religiosos guiados por Paulo. Em uma época de pouca fé, ele fez a escolha impopular de abraçar o caminho da cruz e do sacrifício, gostando de ser chamado de “Irmão Paulo da Cruz”. Ele se dedicou aos pobres e enfermos, enxergando neles o rosto de Jesus crucificado.

A Paixão, amor de Deus pelo homem

Finalmente, em 1727, o Papa Bento XIII concedeu a permissão para Paulo reunir ao seu redor alguns companheiros para ajudá-lo. Seu primeiro companheiro foi seu irmão consanguíneo, João Batista, e ambos foram ordenados sacerdotes no mesmo ano. Assim nasceu o primeiro núcleo da Ordem dos Clérigos Descalços da Santa Cruz e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, que mais tarde ficou conhecida como os Passionistas.

A essência dessa Ordem era a radical pertença à cruz de Jesus e a compreensão de que sua Paixão não era apenas um requisito necessário para a remissão dos pecados, mas também a máxima expressão do amor de Deus pelo homem. Os primeiros religiosos foram formados como pregadores, vencendo a ignorância, a irreligiosidade e o abandono do Evangelho através da Palavra, em vez de lutarem com armas contra os turcos.

Ao lado dos “inacessíveis”

Paulo da Cruz pregou muito e escreveu uma quantidade imensa de cartas, possivelmente mais de dez mil. Sua pregação durante o Jubileu de 1750 foi histórica. No entanto, grande parte de sua vida foi vivida em solidão, principalmente no Monte Argentário, onde fundou o primeiro convento. Dali, partiu em missões para as regiões mais pobres da Maremma e para as ilhas mais remotas do arquipélago toscano, onde era difícil levar a Palavra de Deus.

Em 1771, com a colaboração de Madre Crocefissa Costantini, fundou em Tarquínia o ramo feminino da Congregação: as monjas de clausura que se tornaram as Irmãs Passionistas de São Paulo da Cruz, uma Congregação dedicada à missão educativa, especialmente para mulheres vítimas de violência e exploração. São Paulo da Cruz faleceu em Roma em 1775 e foi canônico por Pio IX em 1867.

Conclusão

São Paulo da Cruz foi um homem guiado pela Cruz e pela Paixão de Jesus Cristo. Ele escolheu abraçar a impopularidade do sacrifício e fundamentou sua congregação no amor de Deus manifestado na Paixão de Jesus.

Sua dedicação aos pobres e enfermos, sua vida de solidão e sua missão de levar a Palavra de Deus para os mais necessitados são exemplos de sua fé inabalável. São Paulo da Cruz deixou um legado de amor, serviço e devoção à Cruz, um testemunho inspirador para todos os cristãos.

Fontes:

– Vatican News
– Canção Nova
– Martirológico Romano
– Liturgia das Horas

Produção, pesquisa e redação: Fellipe S. de Oliveira

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